faróis   memorial   educacional   aviso legal   contato
 
farol de alexandria
 provável aspecto do farol de alexandria


 farol da barra da Bahia - desenho da torre original
 

Um pouco de história

Os faróis são tão antigos como a própria arte de navegar. Desde tempos imemoriais, os homens do mar se orientavam à noite pelos astros e por fogueiras enormes instaladas à princípio nas praias. Com o tempo, esses fogos galgaram promontórios e ganharam torres de sustentação construídas de madeira ou alvenaria. Uma dessas construções se tornou um marco na própria história da humanidade.

O faraó Ptolomeu Soter encomendou ao arquiteto Sostratus, de Cnido, uma torre para orientar a entrada do porto de Alexandria, no Egito, cidade fundada por Alexandre o Grande e que em breve se transformou num pólo comercial e cultural de grande importância. A baixa linha da costa, desprovida de qualquer referência visual, oferecia grandes riscos.

A impressionante torre de aproximadamente 135 metros de altura (jamais existiu outro farol desse tamanho - o farol mais alto do mundo hoje tem 133 metros e fica em Jeddah, na Arábia Saudita) toda revestida de mármore branco foi inaugurada no reinado de Ptolomeu Filadelfo, por volta de 274 AC. Segundo relatos, espelhos faziam com que sua luz pudesse ser vista à 50 km de distância.

Não se sabe ao certo o tipo de combustível usado para produzir a luz, uma vez que a madeira (usada por séculos em outros faróis) era escassa no Egito. O imponente edifício ainda incorporava cisternas, escolas, templos e observatórios astronômicos.

Por ter sido construído na ilhota de Faros, toda obra desse tipo passou à ser conhecida por esse nome. Sua forma (uma fogueira sustentada por uma estrutura) se tornou um padrão para todos os faróis até o advento de outras fontes luminosas no séc XVII. O farol de Alexandria também detém o recorde de maior tempo de serviço contínuo (1220 anos). Desmoronou em 1374 após uma série de violentos terremotos. Por tudo isso, o farol de Alexandria é considerado o "pai dos faróis".

Vários faróis datados do período medieval estão em atividade até hoje. O farol Hook Head, na Irlanda, funciona desde 1172. Em La Coruña, na Espanha está o que é considerado o farol mais antigo do mundo ainda em funcionamento - o edifício original foi erguido pelos romanos (os maiores construtores de "faros" da antiguidade) provavelmente na segunda metade do século I ou nos primeiros anos do século II d. C.

Em sua passagem pelo nosso litoral, o corsário inglês Cecil Dampier, documentou em 1699 a existência de um farol no interior da fortaleza de Santo Antonio, na entrada da baía de Todos os Santos, na Bahia. Tratava-se do famoso "Farol da Barra", construído um ano antes. Nosso segundo farol, o da Barra do Rio Grande do Sul, só entrou em operação em 1820.

Em 1808 a família Real Portuguesa se instala no Brasil. A abertura dos portos e o consequente aumento do tráfego marítimo motivaram a implantação de sinais náuticos, responsabilidade da Junta de Comércio, Fábricas e Agricultura. Com o proclamar da Independência, essa tarefa foi assumida pela recém criada Marinha do Brasil. Em 1876 é criada a Direção de Faróis, órgão que se transformaria no Centro de Manutenção e Reparos Almirante Moraes Rego, responsável pela sinalização náutica brasileira desde 1967.