farol rio doce

 RIO DOCE

19 39,07S / 39 49,53W  Regência, Linhares, ES

 

 

Bancos de areia marcam a foz do imponente Rio Doce, no Espírito Santo. Foi ali que na madrugada de 7 de setembro de 1887 o cruzador imperial “Marinheiro” naufragou, e graças a coragem de Bernardo José dos Santos (conhecido como Caboclo Bernardo), 128 dos 142 tripulantes foram salvos. Além da condecoração pelo ato de bravura, concedida pela Princesa Isabel, teve direito a um pedido: em mais um ato de grandeza, não pediu nada para si, mas para a humanidade: um farol que pudesse evitar novas tragédias. Mas somente em dezembro de 1891 foi aprovado o orçamento para a obra.

 

Na margem esquerda do rio foi montada pelo mecânico Victor Alinquant uma torre de ferro sistema Mitchell de 34 metros de altura, com residência para os faroleiros na base (também em chapas de ferro), equipada com um sistema ótico BBT de 3ª ordem grande modelo, com lampejos brancos e encarnados alternados que atingiam 20 milhas de alcance. Foi inaugurada de forma provisória em 15 de novembro de 1895. As obras só foram concluídas dois anos depois.

 Torre com a casa dos faroleiros (Ney Dantas, História da Sinalização Náutica Brasileira, FEMAR 2000)

Atendendo solicitações do capitão do porto de Vitória, CT Ximenes Cabral, o então diretor de faróis CF Eduardo Augusto Veríssimo de Matos envia o CT engenheiro naval Marques Couto inspecionar o farol, em face da perigosa e rápida aproximação do mar na base da torre. A recomendação foi transferir o sinal para a margem oposta do rio, na localidade de Regência. Agenor Augusto da Silva Moreira foi o responsável pela operação, reinaugurando o farol em 1º de novembro de 1907, sob a coordenação do CT Pedro do Monte Serrat.

 

A torre originalmente toda branca já aparece na “Lista de Faróis” de 1923 com faixas roxo-terra (mais tarde vermelhas) e sem a casa dos faroleiros – que em outros faróis desse modelo também experimentaram um calor insuportável devido ao aquecimento das paredes metálicas. Em julho de 1927 foi instalada uma lanterna automática AGA a gás acetileno, e sua assinatura luminosa foi alterada para 1 lampejo branco a cada 6 segundos.

Farol com a pintura branca-vermelha (Hauley Valim / Acervo Fotográfico SERLIGHES)

 

Na inspeção realizada em dezembro de 1987 foi constatada a impossibilidade de recuperação da torre, corroída pela maresia. Em 1998 foi desmontada, e sua lanterna instalada em frente à ultima residência dos faroleiros (atualmente museu histórico de Regência) foi tombada pelo patrimônio histórico. Naquele ano entrou em operação o novo farol, uma torre de concreto com uma lanterna acrílica que exibe a mesma característica luminosa e ocupa o mesmo local da anterior.

Farol novo (Destinos.ES)

Em 5 de novembro de 2015, se rompe a barragem de Fundão da mineradora Samarco S.A. em Minas Gerais. Mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos devastaram a vida do Rio Doce, chegando em Regência em 17 dias. E no mar, os rejeitos se estendem por 600 km do litoral brasileiro, contaminando de Cabo Frio (RJ) a Abrolhos (BA), segundo técnicos do ICMBio. Foi o pior desastre ambiental da história brasileira.